Degustar ou beber vinho, eis a questão!

Artigo da co-fundadora da loja multi-marcas Wine Soul Store, especialista de grande influência na cena enológica paulistana, sobre a arte da degustação


Ana de Andrade, 17 de maio de 2017

Beber um vinho com amigos batendo papo é uma das formas mais prazerosas de passar o tempo. É divertido jogar conversa fora em boa companhia, e hoje insights sobre a bebida de Baco são cada vez mais bem vindos, mesmo em uma roda descompromissada de amigos.

No entanto, não devemos confundir este bel-prazer com a degustação em si. Degustar para avaliar exige certa compenetração e a ausência de fatores externos que possam interferir principalmente no olfato e paladar, como fumaça de cigarro e odores já estabelecidos em restaurantes ou bares.

Degustar um vinho significa reservar um tempo para descobri-lo. É necessário prestar atenção e captar o que ele lhe recorda na visão, no olfato, no paladar, para depois saboreá-lo e descobrir suas características.

Seguem algumas dicas das etapas básicas da degustação.

Visual: Após servir o vinho na taça, posicione a mesma em local com boa iluminação, de preferência sobre um fundo claro como uma toalha ou guardanapo branco e avalie seus aspectos visuais, como a tonalidade, se está brilhante ou turvo, sua textura e densidade. Por aí já se pode descobrir se se trata de um vinho jovem (cores vermelhas ou violetas mais vivas nos tintos) ou de mais idade, onde já passa a uma cor de tijolo, puxando para o laranja. A densidade pode revelar se é um vinho mais alcoólico ou se é leve e assim vai.

Olfato é a segunda etapa da degustação:  Aquelas voltinhas “frescas” que vemos os degustadores profissionais fazerem na taça são importantes para aerar seu vinho, que muitas vezes ficou por anos aprisionado na garrafa, e revelar seus aromas. Aproxime a taça do nariz e inale profundamente o vinho – ou em bom português, enfie o nariz na taça sem nenhuma vergonha!

Identifique os cheiros. Para isto é muito importante ter uma memória olfativa. Como disse um amigo, vá a feira, ao armazém, ao mercado cheire com muita atenção  tudo que puder e não seja ilícito, para assim criar seu bando de dados.

Você não se lembra do perfume do abacaxi ? E da manga ? E o cheiro de couro e terra molhada ? Não estranhe, porém,  quando ouvir falar em aromas distintos que não reconhece, afinal por aqui não temos muitas oportunidades de comer um alcaçuz ou mesmo sentir o aroma das perfumadas violetas europeias, pois as nossas são de origem africana e não cheiram a nada. Associe aquilo que é comum e frequente em sua vida.

Palato: Na boca você irá sentir o peso, o corpo do vinho. Ele pode se apresentar sedoso, passando leve pela boca ou em camadas mais densa, onde terá mais corpo.

Versão livre em inglês – English version and adaptation