Degustar ou beber vinho, eis a questão!

Artigo da co-fundadora da loja multi-marcas Wine Soul Store, especialista de grande influência na cena enológica paulistana, sobre a arte da degustação.


Beber um vinho com amigos batendo papo é uma das formas mais prazerosas de passar o tempo. É divertido jogar conversa fora em boa companhia, e hoje insights sobre a bebida de Baco são cada vez mais bem vindos, mesmo em uma roda descompromissada de amigos.

No entanto, não devemos confundir este bel-prazer com a degustação em si. Degustar para avaliar exige certa compenetração e a ausência de fatores externos que possam interferir principalmente no olfato e paladar, como fumaça de cigarro e odores já estabelecidos em restaurantes ou bares.

Degustar um vinho significa reservar um tempo para descobri-lo. É necessário prestar atenção e captar o que ele lhe recorda na visão, no olfato, no paladar, para depois saboreá-lo e descobrir suas características.

Seguem algumas dicas das etapas básicas da degustação.

Visual: Após servir o vinho na taça, posicione a mesma em local com boa iluminação, de preferência sobre um fundo claro como uma toalha ou guardanapo branco e avalie seus aspectos visuais, como a tonalidade, se está brilhante ou turvo, sua textura e densidade. Por aí já se pode descobrir se se trata de um vinho jovem (cores vermelhas ou violetas mais vivas nos tintos) ou de mais idade, onde já passa a uma cor de tijolo, puxando para o laranja. A densidade pode revelar se é um vinho mais alcoólico ou se é leve e assim vai.

Olfato é a segunda etapa da degustação:  Aquelas voltinhas “frescas” que vemos os degustadores profissionais fazerem na taça são importantes para aerar seu vinho, que muitas vezes ficou por anos aprisionado na garrafa, e revelar seus aromas. Aproxime a taça do nariz e inale profundamente o vinho – ou em bom português, enfie o nariz na taça sem nenhuma vergonha!

Identifique os cheiros. Para isto é muito importante ter uma memória olfativa. Como disse um amigo, vá a feira, ao armazém, ao mercado cheire com muita atenção  tudo que puder e não seja ilícito, para assim criar seu bando de dados.

Você não se lembra do perfume do abacaxi ? E da manga ? E o cheiro de couro e terra molhada ? Não estranhe, porém,  quando ouvir falar em aromas distintos que não reconhece, afinal por aqui não temos muitas oportunidades de comer um alcaçuz ou mesmo sentir o aroma das perfumadas violetas europeias, pois as nossas são de origem africana e não cheiram a nada. Associe aquilo que é comum e frequente em sua vida.

Palato: Na boca você irá sentir o peso, o corpo do vinho. Ele pode se apresentar sedoso, passando leve pela boca ou em camadas mais densa, onde terá mais corpo.

Ana de Andrade, 17 de maio de 2017

Versão livre em inglês – English version and adaptation